Tema: Fraternidade e Defesa da vida
Lema: Escolhe, pois, a vida
Este tema assume importância sempre maior no Brasil e no mundo
em vista das ameaças e agressões constantes à vida, o bem mais
importante e precioso sobre a face da terra.
Nas suas múltiplas formas
e manifestações, a vida é um bem impagável e indisponível; cada
ser vivo manifesta, à sua maneira, a sabedoria e a insondável
providência de Deus Criador. Não criamos a vida, mas temos o
tremendo poder de destruí-la; e a destruição da vida pelo
descuido e a imprudência humanas, ou pela ganância sistemática e
cega, é ofensa ao Criador. Muitas formas de agressão ao ambiente,
bem como a interferência leviana na natureza dos organismos
vivos, coloca em sério risco a existência da muitos seres vivos,
vegetais ou animais. Vem ao caso de perguntar: que tipo de mundo
e ambiente estamos preparando para as gerações que virão depois
de nós?!
Tratando-se da vida
humana, as questões tornam-se ainda mais preocupantes. A pobreza
extrema e a falta de políticas sociais adequadas deixam a vida
humana exposta a situações de risco e precariedade. A violência
endêmica e o crime organizado ceifam numerosas vidas humanas,
lamentavelmente, muitas delas, em plena flor da juventude!
Submetida à lógica do mercado e da vantagem econômica, a vida
humana acaba valendo muito pouco. A degradação ambiental, a
contaminação e poluição das águas e do ar, em conseqüência de
políticas econômicas irresponsáveis, desencadeiam mecanismos que
põem em risco a própria sobrevivência da vida no nosso planeta.
É impressionante o número
de abortos clandestinos realizados todos os anos no Brasil. São
seres humanos inocentes e indefesos rejeitados, aos quais é
negada a participação no banquete da vida. E com os abortos
clandestinos, tantas mulheres também perdem a vida, em
conseqüência de abortos mal-feitos. Legalizar o aborto seria a
solução, para salvar a vida de muitas mulheres? É o que alguns
pretendem. Mas essa solução seria trágica, cruel e imoral, pois
ambas as vidas são preciosas, tanto mais, quanto menos culpa têm
a pagar. A vida da mãe e do filho precisa ser preservada. A
solução é a educação para a maior valorização da vida humana e
para comportamentos sexuais conseqüentes com a grande
responsabilidade de transmitir a vida a um novo ser humano.
Ameaça não menos
preocupante para a vida humana é a pretensão de legalizar a
eutanásia, uma intervenção intencional e direta para suprimir a
vida humana. O ser humano, desde o início da história, sempre
teve a tentação de se tornar senhor absoluto da vida e da morte;
claro, é pretensão dos fortes sobre os mais fracos. E isso não
lhe trouxe nada de bom. Só Deus é senhor da vida, porque só ele
é capaz de chamar do nada à existência e de dar plenitude à vida
humana. Por isso escreveu no coração do homem esta ordem: “não
matarás!”
Proteger, defender
e promover a vida é tarefa primordial do Estado, sobretudo a
vida indefesa e frágil, como a dos seres humanos ainda
não-nascidos, das crianças, idosos, pobres, doentes ou pessoas
com deficiência. É ação política por excelência, que não poderá
orientar-se pela lógica do “salve-se quem puder”, que só
beneficiaria os mais fortes; ela requer o envolvimento solidário
de todos os cidadãos. A defesa da vida e da dignidade dos outros
seres humanos contra toda forma de agressão, prepotência ou
aviltamento interessa a toda a família humana; é manifestação
suprema de fraternidade.
O lema – “escolhe, pois,
a vida” (Dt 30,19b) – é tomado do livro do Deuteronômio. O povo
hebreu, beneficiado pela ação libertadora e salvadora do Deus da
vida, é colocado por Moisés diante da grave alternativa:
escolher a vida e um futuro esperançoso para si e seus
descendentes, permanecendo fiel aos mandamentos de Deus, ou
escolher a morte, andando por caminhos de idolatria e servindo a
“deuses” fabricados para a própria conveniência. Isso vale para
a globalidade das decisões humanas: nossas escolhas têm
conseqüências sobre a vida e o futuro. A escolha livre e
responsável do respeito aos mandamentos de Deus e do seu
desígnio de vida significa bênção, esperança, futuro. O desprezo
ao desígnio do Deus da vida e seus mandamentos traz a desgraça,
a morte.
Esta é a grande questão
posta pela Campanha da Fraternidade de 2008, que será ocasião
para refletir sobre a complexa problemática que atinge a vida
sobre a terra, em especial, a vida humana. Está em jogo o futuro
da vida na Terra, nossa casa comum, e de todos os seus
habitantes. Uma solução responsável só poderá ser solidária e
fraterna, no pleno respeito ao desígnio de Deus Criador e Senhor
da vida.
ORAÇÃO DA
CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2008
Ó Deus Pai e Criador, em
vós vivemos, nos movemos e somos! Sois presença viva em nossas
vidas, pois nos fizestes à vossa imagem e semelhança.
Proclamamos as maravilhas de vosso amor presentes na criação e
na história. Por vosso Espírito, tudo se renova e ganha vida.
Nosso egoísmo muitas vezes desfigura a obra de vossas mãos,
causando morte e destruição. Junto aos avanços, presenciamos
tantas ameaças à vida. Que nesta quaresma acolhamos a graça da
conversão, tornando-nos mais atentos e fiéis ao Evangelho.
Que o compromisso de nossa fé nos leve a defender e promover a
vida no seu início, no seu crescimento e também no seu declínio.
Vosso Filho Jesus Cristo, crucificado-ressuscitado, nos confirma
que o amor é mais forte que a morte. Como seus discípulos
queremos “escolher a vida”.
Maria, mãe da Vida, que protegeu e acompanhou seu Filho, da
gestação à ressurreição, interceda por nós, Amém!
CARTAZ DA CF-2008
O cartaz é de autoria de três jovens de Brasília, ligados à área
de comunicação: André Said Lavor, Horual Leon dos Santos e
Marilia Matias.
A imagem retrata um
senhor que sorri levemente, tendo nos braços uma criança que
descansa tranqüila.
“Compreendemos que a Campanha da
Fraternidade irá mais a fundo do que uma campanha específica
contra o aborto ou a eutanásia. Vai abranger tudo que evidencia
o valor de uma vida humana, em todas as suas fases; sua
preciosidade de ser imagem e semelhança de Deus e a necessidade
de defendê-la”, dizem os idealizadores do cartaz.