QUARESMA, PAIXÃO E SEMANA SANTA

          A Quaresma se divide, liturgicamente, em duas partes.  Na primeira, a Igreja se preocupa em inocular nos fiéis o espírito de austeridade e penitência, que deve ser o espírito de todo o cristão. Por isso, dizemos que a Quaresma apresenta o modelo de vida que, normalmente, deve levar o fiel, enquanto peregrina neste mundo, em demanda da Pátria celeste. O predomínio, na Quaresma, de orações, jejuns, e outras austeridades, é para lembrar a severidade com que o católico há de encarar todos os atos de sua vida, realizando-os com a reta intenção de bem servir ao Senhor, segundo a recomendação do Apóstolo: "quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus (1 Cor. 10, 31)".

          Neste sentido, a Quaresma é o tempo salutar, é o tempo da salvação, porquanto nos faz ver a loucura da vida mundana, toda feita de distrações, de diversões e de prazeres.

          Já na segunda parte da Quaresma, a Igreja concentra a atenção dos fiéis sobre a Paixão, as dores, os sofrimentos atrozes, com que Jesus nos remiu do pecado, e abriu as portas do céu. O tempo da paixão abarca os 15 dias finais da Quaresma. Deseja a Igreja que, nesse tempo, sobretudo nos compenetremos da caridade sem limites com que Jesus nos amou, para excitar em nós o remorso dos pecados cometidos e o desejo sincero e eficaz de reparar o mal, com uma vida verdadeiramente cristã. A palavra de S. João domina este tempo: "Assim amou Deus o mundo que lhe deu seu Filho Unigênito(Jo. 3,16)".

          Culmina o tempo da paixão, a Semana Santa, justamente chamada a Semana Maior, porque é a mais excelente das 52 semanas do ano, uma vez que, nela, se realizam os grandes mistérios da Humanidade: a morte do Filho de Deus humanado para remir o mundo do pecado.

          Inicia a Semana Santa o Domingo de Ramos, com duas celebrações: a triunfante Procissão dos Ramos, e a Missa da Paixão, com a narrativa dos sofrimentos do Senhor na versão de S. Mateus. A Procissão de Ramos comemora a entrada de Jesus em Jerusalém. Cinco dias antes de sua Paixão.  Introduzida nesta cidade, com o início no monte das Oliveiras até o Santuário urbano, espalhou-se em breve a procissão de Ramos por toda a Cristandade.  Nela se repete a aclamação do povo ao receber Jesus Cristo, montado sobre um jumentinho: "Bendito o que vem em nome do Senhor!" Toda a cerimônia é triunfal: paramentos vermelhos indicam a realeza de Jesus Cristo, assim também os cânticos entusiásticos e os repiques festivos dos sinos.

          Contrastando com essa primeira comemoração, segue-se a Missa do dia, com paramentos roxos e a longa narração dos sofrimentos e morte de Jesus no Calvário. Há,  porém, ilação entre uma e outra cerimônia. Está na relação que há entre a Realeza de Cristo e sua morte na Cruz. Ele mesmo indicou quando disse que, exaltado na Cruz, atrairia tudo a si (Jo. 13,32). A realeza de Cristo é o triunfo da graça sobre o pecado, e esta é o fruto do sacrifício Redentor no Calvário. De onde, ao tomarmos parte na Procissão de Ramos, nosso coração deve encher-se de gratidão para com o Divino Salvador que, com sua morte, nos mereceu a alegria de olhar, com esperança, para a bem-aventurança celeste, porquanto com a graça, merecida no Gólgota, venceremos os inimigos de nossa alma. E as paixões, que nos impede a amizade com Deus e nossa própria santificação.

          Mas, o ponto mais excelente da Semana Santa é o tríduo final, a quinta, a sexta, o sábado santo, chamado tríduo sacro. Nesses três dias dão-se os mistérios mais sacrossantos da vida cristã. Na quinta-feira, a instituição da S.S. Eucaristia, Sacrifício e Sacramento, fonte de todos os benefícios para a Igreja e os fiéis, e do sacerdócio, inefável misericórdia, pela qual Jesus Cristo associa os homens à sua obra redentora. Nesse dia, sagram-se os óleos, que são usados na administração dos Santos Sacramentos, e de vários sacramentais. Ainda na quinta-feira, a cerimônia do Lava- pés recorda o grande preceito da caridade de que deve unir, num mesmo amor, a Deus Nosso Senhor e nosso próximo, de maneira que a dedicação que demonstramos a este seja fruto de nossa caridade para com Deus.

          Na Sexta-feira Santa, comemora-se o sacrifício Redentor. Sagra-se a Cruz com o vexilo real do Senhor dos céus e da Terra. Lembremo-nos das palavras do Divino Mestre: "Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me .(Mat. 16,24)".

          No Sábado Santo, velando o Santo Sepulcro, em recolhimento, meditemos sobre o Mistério de amor insondável que foi a Morte do Filho de Deus humanado que nos causa a vida da Graça.

 

                                            

  

QUARESMA

          

          A quaresma é o tempo litúrgico de conversão que a Igreja marca para nos preparar para a grande festa da Páscoa. É tempo para nos arrepender de nossos pecados e de mudar algo de nós para sermos melhores e poder viver mais próximos de Cristo.

         A Quaresma dura 40 dias; começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa, com a Missa vespertina. Ao longo deste tempo, sobretudo na liturgia do domingo, fazemos um esforço para recuperar o ritmo e estilo de verdadeiros fiéis que devemos viver como filhos de Deus. 

          A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa luto e penitência. É um tempo de reflexão, de penitência, de conversão espiritual; tempo e preparação para o mistério pascal.

          Na Quaresma, Cristo nos convida a mudar de vida. A Igreja nos convida a viver a Quaresma como um caminho a Jesus Cristo, escutando a Palavra de Deus, orando, compartilhando com o próximo e praticando boas obras. Nos convida a viver uma série de atitudes cristãs que nos ajudam a parecer mais com Jesus Cristo, já que por ação do pecado, nos afastamos mais de Deus.

          Por isso, a Quaresma é o tempo do perdão e da reconciliação fraterna. Cada dia, durante a vida, devemos retirar de nossos corações o ódio, o rancor, a inveja, os zelos que se opõem a nosso amor a Deus e aos irmãos. Na Quaresma, aprendemos a conhecer e apreciar a Cruz de Jesus. Com isto aprendemos também a tomar nossa cruz com alegria para alcançar a gloria da ressurreição.

40 dias

          A duração da Quaresma está baseada no símbolo do número quarenta na Bíblia. Nesta, é falada dos quarenta dias do dilúvio, dos quarenta anos de peregrinação do povo judeu pelo deserto, dos quarenta dias e Moisés e de Elias na montanha, dos quarenta dias que Jesus passou no deserto antes de começar sua vida pública, dos 400 anos que durou a estada dos judeus no Egito.

          Na Bíblia, o número quatro simboliza o universo material, seguido de zeros significa o tempo de nossa vida na terra, seguido de provações e dificuldades.

          A prática da Quaresma data desde o século IV, quando se dá a tendência a constituí-la em tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência.  Conservada com bastante vigor, ao menos em um princípio, nas Igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma tem sido cada vez mais abrandada no ocidente, mas deve-se observar um espírito penitencial e de conversão.

         É  nesse período que a Igreja no Brasil promove a Campanha da Fraternidade, para valorizar mais ainda esse fecundo tempo litúrgico. No ano A, predomina o tema do Batismo, com suas exigências na seqüência dos Evangelhos; no ano B, o tema de Cristo glorificado por sua morte e ressurreição, fonte da restauração da dignidade humana; e no ano C, os fiéis são convidados a penitência ou conversão, condições para a nova aliança em Cristo Jesus, selada no Batismo e a ser renovada na Páscoa.

 

 Cinza
(Sentido simbólico)

 


          O significado simbólico da cinza está ligado com sua semelhança com o pó e com o fato de que ela é o resíduo frio e ao mesmo tempo purificado da queima após a extinção do fogo. Por isso em muitas culturas ela é o símbolo da morte, da transitoriedade, do arrependimento e da penitência, mas também da purificação e da ressurreição.
          Espalhar cinza sobre a cabeça ou rolar-se nela era expressão de luto entre gregos, egípcios, judeus e árabes e ainda o é entre tribos primitivas. Os iogues indianos cobrem seus corpos com cinza como sinal de renúncia ao mundo. A cinza sagrada de animais de sacrifícios queimados era considerada como purificadora no judaísmo.
          O cristianismo conhece o uso da cinza em conexão com o simbolismo da penitência e da purificação em atos cúlticos, por ex., na quarta-feira de cinzas e na consagração de uma igreja.
 

Sentido bíblico 


          É símbolo de destruição, do transitório e frágil. É utilizada como sinal de conversão quando colocada sobre a cabeça ou quando se senta sobre ela para indicar penitência, tristeza, luto ou súplica ( Gn 3,19; Is 61,3; Jó 2,8; 42,6; Ez 27,30). Em sentido positivo é símbolo de fogo e fogo concentrado.

 

       Pela palavra do profeta da penitência somos convocados para a assembléia do povo de Deus. Somos todos convocados, sem exceção, seja qual for a nossa condição humana. Aí aprenderemos, ao longo destes dias, como faremos penitência em ordem à renovação pascal. Todo o cristão se há de manifestar, na Quaresma, membro de um povo que se regenera, renovando em si a vida batismal por meio de uma profunda reconversão.
        A Igreja e os seus ministros são os arautos de Deus para chamarem o povo à conversão e à reconciliação, especialmente neste tempo, para isso particularmente favorável. Mas é Deus quem, no fundo, convida, como é Deus quem perdoa e reconcilia. Ele é sempre o princípio e o termo da nossa conversão.
        O tempo da Quaresma deve ser tempo de prática mais intensa das boas obras, particularmente das chamadas “obras de misericórdia”, sob a forma mais adequada às circunstâncias de cada um; mas, em qualquer caso, tudo há de sair do coração sincero e penitente e conduzir à renovação, cada ano mais profunda desse mesmo coração, sob o único olhar de Deus.

“A discrição é o perfume de todas as virtudes”, diz um Santo.

SEMANA SANTA

 

          A Semana santa, que inclui o Tríduo Pascal, visa recordar a Paixão e a Ressurreição de Cristo, desde a sua entrada messiânica em Jerusalém.

 

Domingo de Ramos da Paixão do Senhor

          No Domingo de Ramos, da Paixão do Senhor, a Igreja entra no mistério do seu Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado, o qual, ao entrar em Jerusalém, prenunciou a sua majestade. Os cristãos levam ramos em sinal do régio triunfo que, sucumbindo na cruz, Cristo alcançou. De acordo com a palavra do Apóstolo: Se com Ele padecemos, com Ele também seremos glorificados (Rm 8,17).

 

Tríduo Pascal

          Cristo operou a redenção do homem e a perfeita glorificação de Deus principalmente por meio do seu mistério pascal, com o qual, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, restaurou a nossa vida. Por esse motivo, o sagrado Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor se nos apresenta como o ponto culminante de todo ano litúrgico. Aquela preeminência que tem na semana o dia do Senhor ou Domingo, tem-na no ano litúrgico a solenidade da Páscoa.

         O Tríduo pascal não é preparação do Domingo da Ressurreição, mas é, segundo as palavras de Sto. Agostinho, o sacratíssimo Tríduo do Crucificado, Sepultado e Ressuscitado.

           O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do Senhor começa com a Missa vespertina da Ceia do Senhor, possui o seu centro na Vigília Pascal e encerra-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição.

 

Missa da Ceia do Senhor

           Nessa Missa, que se celebra na tarde de 5ª-feira Santa, a Igreja dá inicio ao sagrado Tríduo pascal e propões-se a comemorar aquela última Ceia na qual o Senhor Jesus, tendo amado até o fim os seus que estavam no mundo, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho, e os entregou aos Apóstolos para que os tomassem, e lhes mandou, a eles e aos seus sucessores no sacerdócio, que também os oferecessem. Nesta Missa, faz-se, portanto, memória: da instituição da Eucaristia, memorial da Páscoa do Senhor, na qual se perpetua no meio de nós, através dos sinais sacramentais, o sacrifício da nova lei; da instituição do sacerdócio, pelo qual se perpetua no mundo a missão e o sacrifício de Cristo; e também da caridade com que o Senhor nos amou até a morte.

 

Celebração da Paixão do Senhor

           Nesse dia "em que Cristo, nossa Páscoa foi imolado" (1Cor 5,7), torna-se clara realidade o que desde a muito havia sido pronunciado em figura e mistério: a ovelha verdadeira substitui a ovelha figurativa, e mediante um único sacrifício realiza-se plenamente o que a variedade das antigas vítimas significava.

           Com efeito, "a obra da Redenção dos homens e da perfeita glorificação de Deus, prefigurada pelas suas obras grandiosas no povo da Antiga Aliança, realizou-a Cristo Senhor, principalmente pelo mistério pascal da sua bem-aventurada Paixão, Ressurreição de entre os mortos e gloriosa Ascensão, mistério pelo qual, morrendo, destruiu a nossa morte e, ressuscitando, restaurou a nossa vida. Foi do lado de Cristo adormecido na Cruz que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja"

            Ao contemplar Cristo, seu Senhor e Esposo, a Igreja comemora o seu próprio nascimento e a sua missão de estender a todos os povos os salutares efeitos da Paixão de Cristo, efeitos que hoje celebra em ação de graças por dom tão inefável.

 

Vigília Pascal

            Segundo antiqüíssima tradição, esta noite deve ser comemorada em honra do Senhor (cf. Ex 12,42), e a Vigília que nela se celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, deve ser considerada a mãe de todas as santas Vigílias (Sto. Agostinho). Pois nela, a Igreja se mantém de vigia à espera da Ressurreição do Senhor, e celebra-se com os sacramentos da Iniciação cristã.

 

fonte e figuras: páginas da internet

VOLTAR